O 212 VIP Black Cab, de Carolina Herrera, é uma edição limitada lançada em 2026 e que imediatamente despertou uma dúvida: seria realmente uma nova fragrância ou apenas o conhecido 212 VIP Black apresentado em uma embalagem diferente?
Para tirar essa dúvida, coloquei os dois perfumes lado a lado.
A apresentação é um dos seus maiores atrativos. O frasco amarelo com detalhes pretos é muito bonito e está facilmente entre os mais interessantes da minha coleção. É uma embalagem chamativa, colecionável e que representa muito bem a ideia da edição limitada.

Antes de borrifar o novo perfume, revisitei o 212 VIP Black, uma fragrância que eu não usava havia três ou quatro anos. O tradicional apresenta muita lavanda, absinto, baunilha, pimenta-preta, noz-moscada e outras especiarias, formando um cheiro verde, picante, alcoólico e levemente adocicado.
É um bom perfume noturno, sedutor e baladeiro. Tem aquele lado fresco e especiado que pode lembrar discretamente o 212 VIP Men original, acompanhado por uma base doce de baunilha. Nunca foi uma fragrância pela qual fiquei completamente apaixonado, mas continua sendo muito agradável e elogiável dentro de sua proposta.

Ao borrifar o 212 VIP Black Cab, a primeira reação foi perceber que ele não é idêntico ao VIP Black. A abertura apresenta uma diferença muito clara, principalmente por causa de uma sensação intensamente balsâmica e incensada.
Sobre a fragrância
Inicialmente, o cheiro me trouxe uma impressão de mirra, olíbano e incenso, com um aspecto resinoso, mineral, levemente salino e assabonetado. É uma saída muito intensa, marcante e com certa atmosfera misteriosa, lembrando o cheiro de resinas queimando em um ambiente fechado.
Essa característica imediatamente me fez pensar em perfumes como Pure XS, Pure XS Night e Wanted by Night. O Black Cab segue uma direção quente, noturna, balsâmica e bastante expansiva, embora também preserve elementos reconhecíveis do DNA do VIP Black.
O perfume tradicional começa mais verde, alcoólico, aromático e picante, com bastante lavanda e absinto. O Black Cab abre mais pesado, resinoso, adocicado e incensado. A projeção inicial também parece muito maior.
A marca apresenta abacaxi, absinto, caramelo e patchouli como as principais notas da composição. Na abertura, honestamente, não consegui perceber o abacaxi com muita clareza. O absinto também não apareceu imediatamente com a mesma intensidade encontrada no VIP Black tradicional.
O que dominou os primeiros minutos foi justamente essa impressão de incenso, mirra e olíbano. Ainda que essas notas não apareçam na divulgação oficial, é a sensação olfativa que a fragrância transmite para mim.
O patchouli aparece com bastante força, adicionando um aspecto terroso, escuro e levemente amadeirado. Também percebo bastante fava-tonka, que reforça o lado quente e adocicado da fragrância.
Depois de algum tempo, o caramelo começa a se destacar e muda consideravelmente a experiência. Inicialmente, ele ficou escondido por trás da parte incensada, mas, conforme a fragrância se acalma, surge de maneira muito mais evidente.

É um caramelo doce, denso e bastante agradável, semelhante ao tipo de acorde encontrado em The Most Wanted, Scandal Pour Homme e Versace Eros Najim. Ele deixa o perfume mais sedutor, cremoso e fácil de gostar.
A combinação entre caramelo e baunilha começa a ganhar espaço, enquanto o aspecto incensado diminui. A fava-tonka também se torna mais perceptível, formando uma base doce, quente e envolvente. Nesse momento, o Black Cab passa a se aproximar mais do VIP Black tradicional. Surge um leve lado verde associado ao DNA da linha, mas a edição limitada continua muito mais adocicada, carregada de caramelo, patchouli e incenso.
Por isso, dizer que os dois são idênticos não seria correto. Eles apresentam semelhanças e compartilham uma identidade, principalmente durante a evolução, mas possuem diferenças importantes.
O VIP Black tradicional é mais aromático, verde, picante e abaunilhado, com maior destaque para lavanda e absinto. O Black Cab é mais doce, intenso, resinoso e balsâmico, com caramelo, patchouli e uma forte impressão incensada dominando boa parte da experiência.
Inicialmente, considerei que preferia claramente o perfume tradicional. Entretanto, conforme o caramelo apareceu e a saída mais agressiva se acalmou, minha opinião começou a mudar. Na evolução, o Black Cab se tornou mais interessante para o meu gosto. O caramelo é muito agradável e combina bem com a fava-tonka, a baunilha, o patchouli e a parte incensada.

Não considero o Black Cab uma fragrância extraordinária ou um dos dez melhores lançamentos do ano. Em uma lista imaginária com cerca de 30 lançamentos, provavelmente ficaria no meio, próximo da 15ª, 16ª ou 17ª posição.
É um perfume bom, agradável e bem construído, mas não apresenta nada realmente revolucionário. Seu maior diferencial está na combinação entre o DNA do VIP Black e essa construção mais doce, caramelizada, balsâmica e incensada.
Em relação às ocasiões, é claramente um perfume para noites, baladas, festas, encontros e momentos de sedução. Ele é quente, marcante e sensual, funcionando melhor em temperaturas amenas ou frias.
Vale a pena conhecer antes da compra, principalmente pela mudança considerável entre a abertura intensamente incensada e a evolução dominada pelo caramelo. Para colecionadores, o frasco também é um grande atrativo e talvez seja uma das principais razões para adquirir essa edição limitada.
Para garantir a aplicação correta do perfume, é importante não só aplicar da forma certa, mas também aproveitar melhor cada nuance da fragrância, permitindo que ela evolua na pele e deixe uma impressão duradoura. Além disso, cada fragrância é única. Por isso, experimentar diferentes opções — especialmente perfumes importados — pode te ajudar a encontrar a que mais combina com você. Assim, escolher o perfume masculino ideal pode transformar sua presença.
Por fim, obrigado por acompanhar esta resenha. Espero que ela te ajude a descobrir fragrâncias que combinem com o seu estilo e marquem presença no seu dia a dia. Até a próxima!


