Poucos perfumes masculinos conquistaram uma reputação tão sólida quanto o The One. É uma fragrância reconhecida pela sensualidade e facilidade de agradar, sendo constantemente citada entre as melhores opções para encontros e momentos noturnos.
O problema sempre esteve na performance. Apesar de muito elogiado, o perfume ficou conhecido por apresentar uma projeção mais controlada do que muitos consumidores gostariam. Por isso, o anúncio de uma nova versão, descrita pela própria marca como mais encorpada e duradoura, criou uma expectativa enorme.
A Dolce & Gabbana conseguiu melhorar a performance sem destruir o DNA de um dos perfumes mais importantes de sua história?
Uma nova apresentação
Além da fragrância, a Dolce & Gabbana também modificou a apresentação. O perfume agora é produzido e distribuído diretamente pela Dolce & Gabbana Beauty, na Itália, como parte do movimento da marca para assumir internamente sua linha de perfumaria.
A nova embalagem traz uma luva externa, cartões da marca e diferentes códigos de verificação. O borrifador também foi melhorado e agora oferece maior controle de intensidade.
Visualmente, a nova apresentação é bonita e mais alinhada à fase atual da marca. Ainda assim, a versão antiga, com tampa preta e degradê no frasco, pode parecer mais elegante e icônica para quem já acompanha a linha há muitos anos.
A própria embalagem promete uma fragrância mais encorpada e afirma entregar até 16 horas de duração, embora essa informação ainda precise ser confirmada em testes completos de uso.

O DNA do The One foi preservado?
Sim. Logo nas primeiras borrifadas, aparecem elementos muito conhecidos da linha: laranja, laranja sanguínea, toranja, âmbar e tabaco. A fragrância continua cremosa, sensual, quente e extremamente envolvente.
A similaridade com a versão anterior fica aproximadamente entre 80% e 85%, sendo as maiores diferenças percebidas na abertura.
A fórmula antiga apresenta uma saída mais complexa, verde e cortante. Nela, aparecem com mais clareza bergamota, coentro, manjericão, cardamomo, gengibre e sálvia, criando uma fase inicial mais fresca, especiada e detalhada.
Já a nova versão praticamente elimina parte dessa abertura. Ela surge na pele como se já estivesse alguns minutos à frente na evolução do perfume. Em vez de começar com o lado verde, cítrico e especiado da fórmula antiga, ela vai quase diretamente para a parte cremosa, quente e ambarada.
É como se a Dolce & Gabbana tivesse retirado os primeiros 30 ou 40 minutos da versão anterior e iniciado o novo perfume diretamente no coração e na base.
Mais cremosidade, doçura e notas de base
A nova versão apresenta mais patchouli, âmbar, tabaco e doçura. A toranja também parece ganhar mais destaque, criando uma sensação levemente achicletada e frutada na abertura.
Ela é menos cortante, menos verde e menos especiada do que a anterior. Em compensação, tem mais corpo, mais impacto e uma textura visivelmente mais oleosa na pele.
A versão antiga conta uma história um pouco mais longa. Primeiro entrega os cítricos, as especiarias frescas e o lado verde. Depois, começa a desenvolver a cremosidade, o âmbar e o tabaco. Por outro lado, a nova pula essa primeira etapa e entrega imediatamente aquilo que sempre foi a parte mais elogiada do The One: sua secagem quente, cremosa, ambarada e sedutora.
Com o passar do tempo, porém, as duas versões ficam cada vez mais próximas. Depois de aproximadamente 25 a 40 minutos, a diferença diminui consideravelmente. É necessário prestar atenção aos detalhes para identificar qual está sendo usada.
Na evolução, ambas apresentam o tabaco, o âmbar e a cremosidade característica da linha. Também surge uma nuance de flor de laranjeira, trazendo um aspecto floral branco, suave e levemente atalcado.
Na nova versão, o patchouli permanece um pouco mais aparente, enquanto a antiga ainda conserva mais gengibre, manjericão, sálvia e frescor especiado.
A nova versão é melhor?
Depende do que cada pessoa valoriza.
A fórmula anterior é mais complexa. Ela apresenta mais evolução, mais nuances verdes, mais especiarias e uma abertura mais detalhada. É um perfume que conta uma história olfativa mais completa.
A nova versão é mais direta. Ela abre mais doce, cremosa e encorpada, concentrando a experiência na parte que a maioria das pessoas mais gosta no The One.
Quem sempre considerou a abertura do perfume apenas uma passagem até a secagem provavelmente vai preferir a nova versão. Quem gostava especificamente dos cítricos, do manjericão, do coentro, da sálvia e do gengibre pode sentir falta desses detalhes.
A sensação é quase a de um inspirado no próprio The One: uma fragrância que resume a construção original, elimina parte de sua abertura e aumenta a presença das notas de base para buscar mais performance.
Isso não significa que seja uma versão inferior, pois podemos considerar que ela apenas faz uma troca. Perde um pouco de complexidade e evolução, mas ganha corpo, doçura, cremosidade e, aparentemente, desempenho.

Performance
A versão anterior costuma entregar aproximadamente 9 a 10 horas de fixação, com cerca de 2 horas de projeção moderada, tornando-se mais intimista com o passar do tempo.
A nova versão parece ser mais intensa desde a abertura. A expectativa é de mais fixação do que a fórmula anterior, com aproximadamente 2 a 3 horas de projeção moderada, podendo se aproximar de alta nos primeiros momentos.
A maior concentração de âmbar, tabaco, patchouli e outras notas de base indica que o perfume realmente deve apresentar uma evolução mais duradoura e uma presença superior.
Ocasiões de uso
O The One continua sendo um dos grandes perfumes da sedução masculina. Sua proposta funciona especialmente bem em encontros românticos, jantares, baladas, noites, momentos de sedução, casamentos e eventos mais elegantes.
Apesar do perfil noturno, ele ainda possui certa versatilidade. Pode ser usado em diferentes compromissos, principalmente em temperaturas amenas ou frias, desde que a ocasião combine com seu lado quente e envolvente.
A nova versão, por ser mais doce e encorpada, parece ainda mais direcionada para noite, encontros, sedução e eventos formais. Não é necessariamente um perfume pesado, mas sua cremosidade e seu calor fazem mais sentido em ocasiões nas quais a elegância e a proximidade sejam importantes.

Eau de Parfum ou Parfum?
Um ponto importante é que a nova versão Eau de Parfum parece mais interessante do que o The One Parfum lançado anteriormente.
Na prática, ela preserva muito melhor o DNA clássico da linha e entrega uma construção mais próxima daquilo que os fãs esperavam. A versão Parfum segue outra direção, enquanto este novo Eau de Parfum consegue modernizar e fortalecer o original sem perder sua identidade.
Seria até possível imaginar essa reformulação como o verdadeiro The One Parfum: uma versão ligeiramente mais concentrada do clássico, com mais notas de base e melhor desempenho.
Para quem precisa escolher entre os dois lançamentos mais recentes, o novo Eau de Parfum parece ser a indicação mais segura.
Veredito
A reformulação do The One Eau de Parfum poderia ter sido um desastre. A Dolce & Gabbana poderia ter alterado completamente o perfume, retirado sua personalidade ou transformado uma fragrância histórica em algo genérico.
Felizmente, isso não aconteceu. A nova versão respeita o DNA da anterior. Ela é mais cremosa, mais adocicada, mais quente e mais focada nas notas de base. Perde um pouco da complexidade da abertura, mas aparentemente compensa com maior presença e desempenho.
As duas versões chegam praticamente ao mesmo destino por caminhos diferentes.
A antiga apresenta uma abertura mais cítrica, verde e especiada antes de desenvolver sua cremosidade. A nova começa praticamente na evolução, oferecendo desde a primeira borrifada o tabaco, o âmbar, a doçura e o caráter envolvente que definiram o sucesso do perfume.
Nas primeiras impressões, tanto a versão antiga quanto a nova recebem nota 10/10. São perfumes extraordinários, com pequenas diferenças de construção, mas capazes de entregar a mesma proposta sensual, elegante e extremamente elogiável.
Para garantir a aplicação correta do perfume, é importante não só aplicar da forma certa, mas também aproveitar melhor cada nuance da fragrância, permitindo que ela evolua na pele e deixe uma impressão duradoura. Além disso, cada fragrância é única. Por isso, experimentar diferentes opções — especialmente perfumes importados — pode te ajudar a encontrar a que mais combina com você. Assim, escolher o perfume masculino ideal pode transformar sua presença.
Por fim, obrigado por acompanhar esta resenha. Espero que ela te ajude a descobrir fragrâncias que combinem com o seu estilo e marquem presença no seu dia a dia. Até a próxima!


