A linha Natura Ekos sempre ocupou um espaço muito especial dentro da perfumaria nacional. Mais do que simplesmente criar fragrâncias inspiradas na floresta amazônica, a Natura trabalha ingredientes da nossa biodiversidade, valoriza conhecimentos tradicionais e apresenta matérias-primas que raramente recebem protagonismo na perfumaria convencional.
Em Alma, Pedra e Raiz, essa proposta aparece de forma ainda mais artística. São três fragrâncias autorais, desafiadoras e com uma qualidade de ingredientes muito acima da média. Não são perfumes comerciais ou fáceis de entender imediatamente. Cada um exige tempo, evolução na pele e alguma disposição para explorar caminhos olfativos menos óbvios.
Natura Ekos Pedra
O Natura Ekos Pedra foi o perfume que despertou a maior curiosidade. A proposta gira em torno do breu-branco, uma resina amazônica que surge no tronco das árvores e carrega facetas aromáticas, minerais e levemente salinas.
Pela descrição, a expectativa era encontrar algo muito mineral e salgado, talvez próximo de fragrâncias como L’Eau d’Issey, Himalaya, da Creed, ou Oud Minérale, da Tom Ford. No entanto, a abertura segue inicialmente por outro caminho.
Nos primeiros segundos, aparece uma combinação limpa e almiscarada, com uma sensação que pode lembrar de longe Silver Mountain Water, da Creed, Azzaro Chrome e até CK One. É um perfume branco, assabonetado e extremamente confortável.
Mas, conforme evolui, o lado mineral começa a crescer. A construção apresenta bergamota, gerânio, breu-branco, sândalo, musk, ambroxan, rosa, lavanda, patchouli, musgo, uma possível faceta de íris e um fundo amadeirado úmido.
O breu-branco é o elemento mais importante da composição. Ele traz uma sensação incensada, assabonetada e mineral, lembrando em alguns momentos a textura do olíbano e da mirra. Não é um incenso escuro ou pesado. É um incensado limpo, quase branco, que combina muito bem com o lado cremoso e almiscarado da fragrância.

O gerânio aparece com bastante força na abertura. Ele pode confundir o olfato e criar uma impressão semelhante a framboesa, frutas vermelhas ou até rosa. Essa faceta mais rosada faz com que o perfume pareça bastante compartilhado nos primeiros momentos.
Inicialmente, ele pode parecer quase meio a meio entre masculino e feminino. Mas a evolução muda bastante essa percepção. Conforme o gerânio perde força, o lado mineral, amadeirado e úmido começa a crescer. O perfume vai ficando mais seco, mais profundo e mais masculino.
Na fita e na roupa, essa evolução se mostrou ainda mais evidente. A parte mineral subiu bastante, acompanhada por madeiras, patchouli, musgo e um toque levemente atalcado.
É justamente essa evolução que torna o Ekos Pedra tão interessante. Ele começa floral, almiscarado e assabonetado, mas vai ganhando umidade, madeira e mineralidade com o passar do tempo.
Nas ocasiões de uso, funciona muito bem como perfume assinatura, para o dia, trabalho, compromissos casuais esituações em que você procura uma fragrância limpa, confortável e com sensação de banho tomado.
Apesar da versatilidade, eu não recomendaria uma compra no blind. É um perfume autoral, artístico e mais desafiador do que a aparência limpa sugere.
A performance ainda precisa ser avaliada em testes completos, mas a concentração Eau de Parfum e a presença que demonstrou na roupa indicam boa intensidade e potencial de boa fixação e projeção.
Nas primeiras impressões, recebe nota 8,5. É o melhor dos três e tem potencial para entrar entre os principais lançamentos nacionais do ano, dependendo de como essa evolução mineral se comportar na pele durante usos completos.
Natura Ekos Alma
O Natura Ekos Alma segue praticamente na direção oposta ao Pedra. Enquanto o primeiro é limpo, branco e mineral, o Alma é quente, intenso, adocicado e extremamente floral.
A composição traz cumaru, copaíba, breu, priprioca, flor de maracujá, jasmim, mandarina, limão, lírio, mel, nuances amadeiradas e uma base resinosa.
Desde a primeira borrifada, o perfume apresenta muita força. É uma fragrância densa, marcante e claramente noturna. O jasmim aparece com enorme protagonismo, trazendo um lado floral que remete aos grandes perfumes femininos dos anos 1980 e 1990.
Essa construção pode lembrar fragrâncias como Trésor, Poême, Organza, Amarige, Nº 5 e alguns da Gabriela Sabatini. Não significa que seja uma cópia, mas ele segue diretamente com essa escola de florais intensos, amadeirados e opulentos.

O mel cresce bastante na evolução e se torna uma das facetas mais marcantes do perfume. É um mel natural, denso e envolvente, que pode lembrar em alguns momentos Spontaneous Generosity, da State of Mind.
Estamos falando de um floral amadeirado adocicado, quente, sensual e muito bem construído. A qualidade é evidente, mas a proposta parece predominantemente feminina, algo próximo de 90% feminino.
É uma fragrância especialmente interessante para mulheres que usaram grandes florais dos anos 1980 e 1990 e desejam reencontrar esse estilo em uma interpretação mais atual, com ingredientes amazônicos e acabamento moderno.
Nas ocasiões de uso, o Ekos Alma funciona melhor em noites frias, encontros românticos, jantares, eventos formais e situações em que se busca uma fragrância intensa, sedutora e muito marcante.
Mesmo não sendo uma fragrância alinhada ao meu gosto pessoal, é impossível ignorar sua qualidade. O perfume recebe nota 8,5 nas primeiras impressões por sua construção, naturalidade e execução técnica.
Natura Ekos Raiz
O Natura Ekos Raiz talvez seja a fragrância mais artística e delicada das três. Sua proposta gira em torno da priprioca e de uma construção floral verde amadeirada, com forte ligação à terra, às folhas e à vegetação amazônica.
A abertura apresenta um frescor cítrico e frutado, mas rapidamente o perfume revela uma identidade de flores brancas coberto por gotas de água.
A composição traz folhas verdes, priprioca, cardamomo, cedro, cítricos, frutas, pétalas de rosa, lírio-do-vale, flores brancas e uma base amadeirada.
A sensação é extremamente natural. Parece um buquê de flores recém-montado, com pétalas brancas, ramos verdes e aquela névoa de água borrifada sobre as flores para mantê-las frescas. Existe algo de casamento durante o dia, de decoração elegante e de flores orvalhadas em um ambiente iluminado.

O lado verde é muito presente. Não é apenas um floral branco cremoso. Existe uma umidade vegetal, com folhas, caules e madeiras frescas. O cedro ajuda a criar essa sensação orvalhada e amadeirada, enquanto a priprioca e o cardamomo acrescentam uma doçura discreta e uma sensualidade muito delicada.
Apesar de ter causado uma impressão mais masculina no primeiro instante, a evolução mostra um perfume bastante compartilhado. É um floral branco que pode ser usado por homens ou mulheres, desde que a pessoa goste de fragrâncias elegantes, verdes e florais.
Nas ocasiões de uso, combina especialmente com casamentos durante o dia, eventos elegantes, almoços, festas ao ar livre e compromissos formais diurnos. Também pode funcionar para trabalho e encontros durante o dia, desde que a pessoa tenha afinidade com florais brancos e verdes.
Assim como os outros dois, é um perfume que deve ser testado antes da compra. A linha inteira possui uma proposta muito artística, e o Raiz não é uma exceção. Seu lado floral pode não agradar quem busca fragrâncias mais tradicionalmente masculinas.
Para garantir a aplicação correta do perfume, é importante não só aplicar da forma certa, mas também aproveitar melhor cada nuance da fragrância, permitindo que ela evolua na pele e deixe uma impressão duradoura. Além disso, cada fragrância é única. Por isso, experimentar diferentes opções — especialmente perfumes importados — pode te ajudar a encontrar a que mais combina com você. Assim, escolher o perfume masculino ideal pode transformar sua presença.
Por fim, obrigado por acompanhar esta resenha. Espero que ela te ajude a descobrir fragrâncias que combinem com o seu estilo e marquem presença no seu dia a dia. Até a próxima!


